>
blog de informação e publicidade

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Línguas, Linguagem, Linguística-nova apresentação jotform

Línguas, Linguagem, Linguística:
'via Blog this'

Os falsos cognatos e a ofensa. O exemplo do caso do jogador Luís Suarez e sua condenação por racismo.

Li uma reportagem essa semana que me chamou a atenção para os ‘falsos cognatos’, também chamados ‘false friends' em inglês. São aquelas palavras que são quase idênticas, costumam ter o mesmo radical, mas tem significados diferentes em línguas diferentes. Isso é só mais uma prova evidente da mudança das línguas ao longo do tempo, com o que muitos ainda teimam em não concordar.

Os exemplos são vários. Vejamos alguns: se você, brasileiro, está na Itália e ouve alguém chamar a sua comida de ‘esquisita’(sqüisita em italiano, uso as tremas para marcar a pronúncia), em princípio vai se ofender e depois vai ver que essa palavra, em italiano, é elogiosa; chamar uma comida de ‘esquisita’ (squisita) é elogiá-la. A situação inversa – um italiano aqui na sua casa fazendo esse mesmo comentário – poderia ser mais constrangedora porque eles estariam em minoria e caberia a eles entender o motivo de seu sentimento de ofensa. Aliás, essa mesma palavra causaria o mesmo efeito em espanhol (exquisito), em francês (exquis) e em inglês (exquisite), todas com o mesmo sentido do italiano. Ora, é fácil perceber que essa palavra descende do latim ‘exquisitus’. E qual era o significado? “excelente, escolhido, apurado, requintado”. Parece que só no português o sentido original se desvirtuou. E que mal há nisso? Nenhum! São mudanças naturais na língua. Em algum momento, sabe-se lá porque, a palavra portuguesa esquisito foi tomando o sentido de excêntrico, extravagante, só que do ponto de vista do estranhamento, do diferente, do desconhecido. Perdeu o sentido de excelente, apurado. O mais interessante, porém, é que os dicionários de língua portuguesa registram o significado de ‘delicado’, ‘bem acabado’, embora secundariamente registrando coisas como ‘extravagante’, ‘estranho’.

Bem, quem faz a língua é o falante e se as pessoas entendem ‘esquisito’ como estranho e não como excelente, vale o que se entende e cabe aos dicionaristas “reverem seus conceitos”.

Há outras palavras nas mesmas condições. Por exemplo, ‘burro’ em português e espanhol é um animal, já em italiano é o que chamamos manteiga. Aparentemente é estranho, mas nem tanto, se pensarmos que manteiga é ‘beurre’ em francês e ‘butter’ em inglês, radicais certamente mais próximos de ‘burro’ do que de ‘manteiga’.

Enquanto os ‘falsos cognatos’ forem apenas mal entendidos, não haverá grandes problemas; mais cedo ou mais tarde as dúvidas são elucidadas e todos voltam a ‘ser amigos’. O grande problema é quando os significados de uma palavra ofendem a pessoa humana em alguns lugares e não em outros. Como interpretar a intenção do falante nesses casos ? continue

click-por-click

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postar comentário[Não respondo anônimos] [I do not answer anonymous ]
Fazer comentários em blogs,é uma ótima ideia para divulgar o seu conteúdo ou ideia!- Identifique - se!

linkwithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...